DH 248
Com estas regras eclesiásticas e com os testemunhos recebidos da autoridade divina, fomos, com o auxílio do Senhor, de tal forma confirmados que professamos ser Deus autor de todos os bons sentimentos e obras e de todos os esforços e de todas as virtudes com as quais, desde o começo da fé, se tende para Deus; e não duvidamos que todos os méritos do homem são prevenidos pela graça daquele por meio de quem acontece que comecemos tanto a querer como a fazer algo de bom [cf. Fl 2,13]. Certamente, por este auxílio e dom de Deus não é suspenso o livre-arbítrio, mas liberado, para que, de tenebroso, se torne luminoso, de doente, são, de imprudente, sabio. Pois tão grande é a bondade de Deus para com todos os homens que ele quer que sejam nossos os méritos que são seus próprios dons e que ele dará prêmios eternos por aquilo que ele <mesmo> presenteou! 1 Ele age verdadeiramente em nós de tal maneira que queiramos e façamos aquilo que ele quer, e não suporta que fique inoperante em nós quanto ele doou para que fosse colocado em obra e não ficasse esquecido, de modo que também nós sejamos cooperadores da graça de Deus. E se tivermos constatado que algo em nós murcha por causa de nossa falta de cuidado, recorramos solícitos a ele que cura todas as nossas enfermidades e salva da morte a nossa vida [Sl 103,3s]; a ele cada dia digamos: Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal [Mt 6,13]. 95
His ergo ecclesiasticis regulis et ex divina sumptis auctoritate documentis, ita adiuvante Domino confirmati sumus, ut omnium bonorum affectuum atque operum et omnium studiorum omniumque virtutum, quibus ab initio fidei ad Deum tenditur, Deum profiteamur auctorem, et non dubitemus, ab ipsius gratia omnia hominis merita praeveniri, per quem fit, ut aliquid boni et velle incipiamus et facere [cf. Phil 2,13]. Quo utique auxilio et munere Dei non aufertur liberum arbitrium, sed liberatur, ut de tenebroso lucidum, de pravo rectum, de languido sanum, de imprudente sit providum. Tanta enim est erga omnes homines bonitas Dei, ut nostra velit esse merita, quae sunt ipsius dona, et pro his, quae largitus est, aeterna praemia sit donaturus 1 . Agit quippe in nobis, ut, quod vult, et velimus et agamus, nec otiosa in nobis esse patitur, quae exercenda, non negligenda, donavit, ut et nos cooperatores simus gratiae Dei. Ac si quid in nobis ex nostra viderimus remissione languescere, ad illum sollicite recurramus, qui sanat omnes languores nostros et redimit de interitu vitam nostram [Ps 102,3s], et cui quotidie dicimus: Ne inducas nos in tentationem, sed libera nos a malo [Mt 6,13].