Denzinger · DH 2711

DH 2711

Na verdade, como na linguagem vernácula constatamos muitíssimas irregularidades, variações, trocas, por uma excessiva liberdade das traduções bíblicas seria certamente transtornada aquela imutabilidade que se requer dos testemunhos divinos, e a própria fé vacilaria, sobretudo porque a verdade do dogma às vezes se decide a partir de uma só silaba. Os hereges, pois, tem sempre tido o hábito de aplicar as suas perversas e odiosíssimas maquinações para introduzir sub-repticiamente, por meio das Bíblias publicadas em língua vernácula (de cuja admirável diversidade e discordância eles se acusam e se ofendem reciprocamente), os seus erros envoltos no sacratíssimo ornamento da palavra divina. “As heresias de fato nasceram”, dizia S. Agostinho, “somente porque as Escrituras, que são boas, não são entendidas bem, e o que nelas não é entendido bem é afirmado de modo temerário e audaz” 1 . Se, pois, nos dói o fato de homens estimadíssimos por causa de sua piedade e sabedoria não raramente terem faltado na interpretação das Escrituras, que coisa não se deveria temer se ao povo inexperto, que geralmente julga não com base em discernimento, mas com certa temeridade, fossem entregues para ser lidas livremente as Escrituras traduzidas em qualquer língua vernácula? …

Latim

Sane cum in vernaculo sermone creberrimas animadvertamus vicissitudines, varietates, commutationesque, profecto ex immoderata biblicarum versionum licentia immutabilitas illa convelleretur, quae divina decet testimonia, et fides ipsa nutaret, cum praesertim ex unius syllabae ratione quandoque de dogmatis veritate dignoscatur. In id proinde pravas teterrimasque machinationes suas conferre in more habuerunt haeretici, ut editis vernaculis Bibliis (de quorum tamen mira varietate ac discrepantia ipsi se invicem accusant et carpunt) suos quisque errores sanctiore divini eloquii apparatu obvolutos per insidias obtruderent. “Non enim natae sunt haereses”, inquiebat S. Augustinus, “nisi dum Scripturae bonae intelliguntur non bene, et quod in eis non bene intelligitur, etiam temere et audacter asseritur” 1 . Quod si viros pietate et sapientia spectatissimos in Scripturarum interpretatione haud raro defecisse dolemus, quid non timendum, si imperito vulgo, qui ut plurimum non delectu aliquo, sed temeritate quadam iudicat, translatae in vulgarem quamcumque linguam Scripturae libere pervolvendae traderentur? …

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