DH 3019
E não só não pode jamais haver dissensão entre fé e a razão, mas se prestam mútua ajuda [cf. *2776; 2811], visto que a reta razão demonstra os fundamentos da fé e, iluminada por sua luz, cultiva a ciência das coisas divinas, enquanto a fé livra e guarda a razão dos erros, enriquecendo-a de múltiplos conhecimentos. Por isso, a Igreja, longe de se opor ao cultivo das artes e das ciências humanas, antes de muitos modos as auxilia e promove. Pois não ignora nem despreza as vantagens que delas dimanam para a vida humana; pelo contrário, ensina que, como elas vêm de Deus, o Senhor das ciências [cf. 1Sm 2,3], assim, quando bem empregadas, conduzem a Deus, com o auxílio de sua graça. Nem proíbe que tais disciplinas, cada qual em seu respectivo âmbito, façam uso de seus princípios e métodos próprios; mas, embora reconhecendo esta justa liberdade, admoesta cuidadosamente que não admitam em si erros contrários à doutrina divina nem ultrapassem os próprios limites, invadindo e perturbando o que é do domínio da fé.
Neque solum fides et ratio inter se dissidere numquam possunt, sed opem quoque sibi mutuam ferunt [cf. *2776 *2811], cum recta ratio fidei fundamenta demonstret eiusque lumine illustrata rerum divinarum scientiam excolat, fides vero rationem ab erroribus liberet ac tueatur eamque multiplici cognitione instruat. Quapropter tantum abest, ut Ecclesia humanarum artium et disciplinarum culturae obsistat, ut hanc multis modis iuvet atque promoveat. Non enim commoda ab iis ad hominum vitam dimanantia aut ignorat aut despicit; fatetur immo, eas, quemadmodum a Deo scientiarum Domino [cf. 1 Sm 2,3] profectae sunt, ita, si rite pertractentur, ad Deum iuvante eius gratia perducere. Nec sane ipsa vetat, ne huiusmodi disciplinae in suo quaeque ambitu propriis utantur principiis et propria methodo; sed iustam hanc libertatem agnoscens, id sedulo cavet, ne divinae doctrinae repugnando errores in se suscipiant, aut fines proprios transgressae ea, quae sunt fidei, occupent et perturbent.