Denzinger · DH 3330

DH 3330

A regeneração e renovação iniciam, para o homem, com o batismo; neste sacramento … o Espírito Santo penetra [na alma] pela primeira vez e a torna semelhante a si mesmo. “O que nasceu do Espírito, é espirito” [Jo 3,6]. O mesmo Espírito com abundância se dá como dom ainda pela santa confirmação, em vista da firmeza e do vigor da vida cristã. … Ele não somente nos traz os dons divinos, mas é o próprio autor deles, e também o dom por excelência; provindo do amor mútuo do Pai e do Filho, é considerado e designado, com justiça, como o “dom de Deus altíssimo”. Para entender melhor a natureza e a significação deste dom, cabe lembrar o que explicaram os santos doutores a respeito do que é transmitido nas sagradas Letras, a saber, que Deus está presente em todas as coisas, e que nelas está “pelo poder, enquanto tudo está debaixo de seu poder; pela presença, na medida em que tudo se encontra nu e aberto a seus olhos; pela essência, na medida em que está presente a tudo como causa do ser” 1 . Mas, no homem, Deus 719 não está presente apenas como nas coisas, mas muito mais é por ele conhecido e amado; porque, guiados pela natureza, amamos espontaneamente o bem, o desejamos e buscamos. Além disso, por causa da graça, Deus habita na alma do justo como no templo, do modo mais íntimo e singular; e disso segue também essa necessidade da caridade pela qual a alma intimamente adere a Deus, mais que um amigo a um amigo altamente benévolo e dileto, e nele se deleita plena e suavemente.

Latim

Regenerationis et renovationis initia sunt homini per baptisma; in quo sacramento … illabitur primum Spiritus Sanctus eamque [animam] similem sibi facit. “Quod natum est ex Spiritu, spiritus est” [Io 3,6]. Uberiusque per sacram confirmationem ad constantiam et robur christianae vitae sese dono dat idem Spiritus … . Ipse non modo affert nobis divina munera, sed eorumdem est auctor, atque etiam munus ipse est supremum; qui a mutuo Patris Filiique amore procedens, iure habetur et nuncupatur “altissimi donum Dei”. Cuius doni natura et vis quo illustrius pateat, revocare oportet ea quae in divinis Litteris tradita sacri doctores explicaverunt, Deum videlicet adesse rebus omnibus in eisque esse “per potentiam, in quantum omnia eius potestati subduntur; per praesentiam, in quantum omnia nuda sunt et aperta oculis eius; per essentiam, in quantum adest omnibus ut causa essendi” 1 . At vero in homine est Deus non tantummodo ut in rebus, sed eo amplius cognoscitur ab ipso et diligitur; cum vel duce natura bonum sponte amemus, cupiamus, conquiramus. Praeterea Deus ex gratia insidet animae iustae tamquam in templo, modo penitus intimo et singulari; ex quo etiam sequitur ea necessitudo caritatis, qua Deo adhaeret anima coniunctissime, plus quam amico amicus possit benevolenti maxime et dilecto, eoque plene suaviterque fruitur.

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