DH 348
… Como Deus onipotente e misericordioso, mediante a piedade da Igreja, não quis negar a alma alguma que o deseje o remédio da salvação, não há dúvida de que provenha da autoria de Deus mesmo e da compunção divinamente inspirada que se trate da sua recepção [de Miseno], precisamente no momento em que também a necessidade de não protelar constrange a concedê-la, ainda mais porque nosso Salvador ordenou ao bem-aventurado Apóstolo Pedro, antes dos outros: “Tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus, e tudo o que desligares sobre a terra será desligado também nos céus” [Mt 16,19], e como destas palavras nada consta seja excluído, assim possa, mediante o ministério da dispensação apostólica, tudo em geral ser ligado e tudo subseqüentemente desligado, principalmente porque, com isto, mais ainda deve ser mostrado a todos um exemplo da misericórdia apostólica, para que todos os condenados, se voltarem a 127 si e se retratarem do erro, não duvidem que por meio da absolvição … dos vínculos da condenação … serão desligados. … Por isso, já que, com permissão do Senhor, nos são dadas possibilidades humanas, oferecemos àquele que os deseja os remédios da salvação, abandonando ao juízo divino tudo o que supera a pequena medida das nossas faculdades; contudo, não nos poderão culpar de perdoar aos vivos o dano da prevaricação – o que à Igreja é possível se Deus o concede – aqueles que pedem que concedamos perdão até aos mortos, o que claramente a nós é impossível. De fato, tendo dito “o que tiveres ligado sobre a t e r r a ”, - conseqüentemente reservou n ã o a o h u m a n o , m a s a o s e u juízo aqueles que constam não estar mais sobre a terra, e a Igreja não ousa atribuir a si o que vê não ter sido concedido aos próprios bemaventurados Apóstolos; já que uma coisa é a causa dos sobreviventes, outra a dos defuntos. anátema, ano 495 tract. IV) / PL 59, 105A-C / MaC 8, 90C-91A. – Reg.: ClPL dos pecados
… Cum nulli animae Deus omnipotens et misericors per ecclesiasticam pietatem quaerenti voluerit remedium denegari, non dubium est hoc ipso auctore Deo et divina conpunctione prodire, ut tunc de eius [Miseni] receptione tractetur, quando eam non protelanda quoque necessitas compellat impendi, nostro praeterea Salvatore beato Petro Apostolo prae ceteris deleganti: “Quaecumque ligaveris super terram, ligata erunt et in caelis, et quaecumque solveris super terram, erunt soluta et in caelis” [Mt 16,19], sicut et his verbis nihil constat exceptum, sic per apostolicae dispensationis officium et totum possit generaliter alligari et totum consequenter absolvi, praecipue cum ex hoc magis praeberi cunctis oporteat apostolicae miserationis exemplum, ut absolutione damnati, si resipiscant universi et ab errore se retrahant … vinculis se damnationis … non ambigant exuendos. … Proinde quantum permittente Domino possibilitatis humanae desideranti remedia praebeamus, totum, quod supra nostrae facultatis est modulum, divino iudicio relinquentes, non autem nobis poterunt imputare, cur praevaricationis offensam viventibus remittamus, quod Ecclesiae Deo largiente possibile est, qui nos etiam mortuis veniam praestare deposcunt, quod nobis possibile non esse manifestum est. Quia cum dictum sit “quae ligaveris super t e r r a m ”, quos ergo non esse iam constat super terram, n o n h u m a n o , s e d s u o i u d i c i o r e s e r v a v i t , nec audet Ecclesia sibimet vindicare, quod ipsis beatis apostolis conspiciat non fuisse concessum, quia alia sit causa superstitum, alia defunctorum. 349: Tratado “Ne forte”, sobre o vínculo do Ed.: E. Schwartz, l. c. ad *345, 10 13 -11 2 / Thl 562 (= 1672; JR 701. O perdão