Denzinger · DH 3486

DH 3486

De muito se enganaria quem, a partir daí, julgasse poder opinar que a ciência e a fé não estão submissas uma à outra. Isso se pode dizer com certeza quanto à ciência, mas quanto à fé deve-se dizer que, não por um só, mas por três motivos, está sujeita à ciência. Efetivamente é de notar, em primeiro lugar, que em todo fato religioso, tirada a realidade divina e a experiência que o crente tem da mesma, tudo o mais, e principalmente as fórmulas religiosas, não sai do campo dos fenômenos; cai portanto sob o domínio da ciência. … Ainda mais, se se diz que Deus é objeto só da fé, isto se deve admitir quanto à realidade divina, não porém quanto à idéia de Deus. Esta de fato está submetida à ciência, a qual, enquanto filosofando na ordem que chamam lógica, também alcança o que houver de absoluto e ideal. É, pois, direito da filosofia ou da ciência indagar acerca da idéia de Deus, dirigi-la na sua evolução, corrigi-la quando se lhe misturar qualquer elemento estranho. Com base nisto os modernistas sustentam que a evolução religiosa deve ser coordenada com a evolução moral e intelectual, ou seja, como ensina um dos seus mestres, deve ser-lhes subordinada. Acresce, enfim, que o homem não suporta uma dualidade em si mesmo; por conseguinte, o crente experimenta uma íntima necessidade de harmonizar de tal sorte a fé com a ciência, que ela não se oponha à idéia geral que a ciência forma do universo. Conclui-se, pois, que a ciência é de todo independente da fé; esta, ao contrário, embora se declame que é estranha à ciência, deve-lhe submissão. dos enunciados teológicos

Latim

Ex his tamen fallitur vehementer, qui reputet posse opinari, fidem et scientiam alteram sub altera nulla penitus ratione esse subiectam. Nam de scientia quidem recte vereque existimabit; secus autem de fide, quae non uno tantum, sed triplici ex capite scientiae subici dicenda est. Primum namque advertere oportet, in facto quovis religioso, detracta divina realitate quamque de illa habet experientiam, qui credit, cetera omnia, praesertim vero religiosas formulas, phaenomenorum ambitum minime transgredi, atque ideo cadere sub scientiam. … Praeterea, quamvis dictum est Deum solius fidei esse obiectum, id de divina quidem realitate concedendum est, non tamen de idea Dei. Haec quippe scientiae subest; quae dum in ordine, ut aiunt, logico philosophatur, quidquid etiam absolutum est attingit atque ideale. Quocirca philosophia seu scientia cognoscendi de idea Dei ius habet eamque in sui evolutione moderandi et, si quid extrarium invaserit, corrigendi. Hinc modernistarum effatum: evolutionem religiosam cum morali et intellectuali componi debere; videlicet, ut quidam tradit, quem magistrum sequuntur, eisdem subdi. Accedit demum, quod homo dualitatem in se ipse non patitur: quamobrem credentem quaedam intima urget necessitas fidem cum scientia sic componendi, ut a generali ne discrepet idea, quam scientia exhibet de hoc mundo [608] universo. Sic ergo conficitur, scientiam a fide omnino solutam esse, fidem contra, utut scientiae extranea praedicetur, eidem subesse. Erros dos modernistas a respeito

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