DH 3652
… Aprovamos a proposta daqueles que, para encontrar, para si e para outros, saída das dificuldades do Livro sagrado, buscam novos métodos e soluções, recorrendo a todos os auxílios dos estudos e da crítica; infelizmente, porém, se negligenciarem as prescrições de nosso Predecessor e passarem das fronteiras e limites seguros estabelecidos pelos Padres [cf. Pr 22,28], desviar-se-ão de seu intento. Na verdade, de modo algum se atém a estas prescrições e limites a opinião daqueles autores recentes que, introduzindo a distinção entre o e l e m e n - to prim á rio ou religioso da Escritura e o s e c u n d á r i o o u p r o f a n o , querem que a inspiração propriamente se estenda a todas as sentenças e até palavras da Bíblia, mas restringem e limitam ao elemento primário, ou religioso, seus efeitos e, sobretudo, sua imunidade ao erro e absoluta verdade. Eles sustentam, com efeito, que é intencionada e ensinado por Deus somente o que se refere à religião; o restante, que pertence às disciplinas profanas e só serve à doutrina revelada como uma espécie de revestimento exterior da verdade divina, <Deus> o permite apenas, abandonando-o à fraqueza do escritor. … Alguns pretendem que essas opiniões enganosas não contradizem em nada as prescrições de nosso predecessor, já que este declarou que em matérias de fenômenos naturais o hagiógrafo fala segundo a aparência externa, portanto falaz [cf. *3288]. Mas quão temerária, quão falsa é tal afirmação aparece manifesto nas próprias palavras do Pontífice. Pois nem pela aparência externa das coisas … nenhuma mancha de erro cai nas divinas escrituras, já que é axioma da sã filosofia que os sentidos não se enganam na percepção das coisas que constituem o objeto próprio de seu conhecimento. Além disso, nosso predecessor, afastada qualquer distinção entre o que chamam elemento primário e secundário, e removida toda ambigüidade, ensina claramente que está bem longe da verdade a opinião dos que pensam que “quando se trata da verdade das sentenças, não se deve buscar tanto o que Deus disse, mas o motivo por que o disse” [*3291]; e igualmente ensina que a divina inspiração se estende a todas as partes da Bíblia sem distinção e que não pode ocorrer erro algum no texto inspira- 780 do: “É de todo ilícito limitar a inspiração a determinadas partes da Sagrada Escritura ou admitir que o próprio autor sagrado tenha errado” [*3291].
[394] … Illorum comprobamus consilium, qui, ut semetipsos aliosque ex difficultatibus sacri Codicis expediant, ad eas diluendas, omnibus studiorum et artis criticae freti subsidiis, novas vias atque rationes inquirunt; at misere a proposito aberrabunt, si decessoris Nostri praescripta neglexerint et certos fines terminosque a Patribus constitutos praeterierint [cf. Prv 22,28]. Quibus sane praeceptis et finibus nequaquam recentiorum illorum continetur opinio, qui, inducto inter e l e m e n t u m S c r i p t u r a e p r i m a r i u m s e u r e l i g i o s u m et s e c u n d a r i u m s e u p r o f a n u m discrimine, inspirationem quidem ipsam ad omnes sententias, immo etiam ad singula Bibliorum verba pertinere volunt, sed eius effectus, atque in primis erroris immunitatem absolutamque veritatem, ad elementum primarium seu religiosum contrahunt et coangustant. Eorum enim sententia est, id umum, quod ad religionem spectet, a Deo in Scripturis intendi ac doceri; reliqua vero, quae ad profanas disciplinas pertineant et doctrinae revelatae quasi quaedam externa divinae veritatis vestis inserviant, permitti tantummodo et scriptoris imbecillitati relinqui. … Haec opinionum commenta, sunt qui nihil repugnare contendant decessoris Nostri praescriptionibus, cum is hagiographum in naturalibus rebus secundum externam speciem, utique fallacem, loqui declaraverit [cf. *3288]. Id vero quam temere, quam falso affirmetur, ex ipsis Pontificis verbis manifesto apparet. Neque enim ab externa rerum specie … ulla falsi labes divinis litteris adspergitur, quandoquidem sensus in iis rebus proxime [395] cognoscendis, quarum sit propria ipsorum cognitio, minime decipi dogma est sanae philosophiae. Praeterea decessor Noster, quovis inter elementum primarium et secundarium, ut vocant, remoto discrimine omnique ambiguitate sublata, luculenter ostendit, longissime a vero abesse illorum opinionem, qui arbitrantur “de veritate sententiarum cum agitur, non adeo exquirendum, quaenam dixerit Deus, ut non magis perpendatur, quam ob causam ea dixerit” [*3291]; idemque docet divinum afflatum ad omnes Bibliorum partes sine ullo delectu ac discrimine proferri nullumque in textum inspiratum errorem incidere posse: “At nefas omnino fuerit aut inspirationem ad aliquas tamtum s. Scripturae panes coangustare aut concedere sacrum ipsum errasse auctorem” [*3291].