DH 3676
Ora, em que f u n d a m e n t o se baseia esta dignidade e poder de nosso Senhor adverte acertadamente Cirilo de Alexandria: “Para dizê-lo numa só palavra, o Senhor recebe o domínio sobre todas as criaturas, não porque o tivesse arrancado pela força ou adquirido por outro meio, mas por sua próprio essência e natureza” 1 ; ou seja, sua realeza se fundamenta naquela maravilhosa união que se chama hipostática. Donde se segue que Cristo não apenas deve ser adorado por anjos e homens, mas também que anjos e homens devem obedecer e estar sujeitos a seu império de Homem: pois a título somente da união hipostática, Cristo obtém o poder sobre todas as criaturas. Mas, por outra parte, que pensamento mais grato e mais suave podemos ter que o de Cristo imperando sobre nós, não só por direito da natureza, mas também pelo direito adquirido, isto é, pela <obra da> redenção [*cf. 3352]? Oxalá todos os homens, tão inclinados a esquecer, recordassem que preço custamos ao nosso Salvador: “Pois não fostes resgatados com coisas perecíveis como ouro ou prata …, mas com o precioso sangue de Cristo, como de cordeiro sem defeito e mancha” [1Pd 1,18s]. Pois já não pertencemos a nós mesmos, mas Cristo nos comprou “por alto preço” [1Cor 6,20]; nossos próprios corpos “são membros de Cristo” [ibid. 15].
[598] Quo autem haec Domini nostri dignitas et potestas f u n d a m e n t o consistat, apte Cyrillus Alexandrinus animadvertit: “Omnium, ut verbo dicam, creaturarum dominatum obtinet, non per vim extortum, nec aliunde invectum, sed essentia sua et natura” 1 ; scilicet eius principatus illa nititur unione mirabili, quam hypostaticam appellant. Unde consequitur, non modo ut Christus ab angelis et hominibus Deus sit adorandus, sed etiam ut eius imperio Hominis angeli et homines pareant et subiecti sint: nempe ut vel solo [599] hypostaticae unionis nomine Christus potestatem in universas creaturas obtineat. At vero quid possit iucundius nobis suaviusque ad cogitandum accidere, quam Christum nobis iure non tantum nativo, sed etiam quaesito, scilicet redemptionis, imperare [cf. *3352]? Servatori enim nostro quanti steterimus, obliviosi utinam homines recolant omnes: “Non enim corruptibilibus auro vel argento redempti estis …, sed pretioso sanguine quasi agni immaculati Christi et incontaminati” [1 Pt 1,18s]. Iam nostri non sumus, cum Christus “pretio magno” [1 Cor 6,20] nos emerit; corpora ipsa nostra “membra sunt Christi” [ibid. 15].