DH 3678
Todavia, que este r e i n o é principalmente e s p i - r i t u a l e se estende sobre o âmbito espiritual, as palavras que acima alegamos da Bíblia o mostram com toda a clareza, e o modo de agir do Cristo Senhor o confirma. Pois foi assim que, em mais de uma ocasião, visto que os judeus e até os próprios Apóstolos pensaram erroneamente que o Messias havia de reivindicar a liberdade do povo e restabelecer o reino de Israel, ele lhes tirou e arrancou essa vã opinião e esperança. Quando estava para ser proclamado rei pela confusa multidão de seus admiradores, ele recusou esse nome e honra, fugindo e escondendo-se; e diante do governador romano proclamou que seu reino não é “deste mundo” [Jo 18,36]. Decerto, nos evangelhos este reino nos é proposto tal que os homens se preparam a entrar nele fazendo penitência, e não podem nele entrar se não pela fé e o batismo, o qual, embora sendo um rito externo, todavia significa e produz a regeneração interior; é oposto unicamente ao reino de Satanás e a ao poder das trevas, e exige de seus seguidores não só que, com o coração desprendido das riquezas e das coisas terrenas, ostentem grandeza moral e tenham fome e sede de justiça, mas também se reneguem a si mesmos e tomem sua cruz. Ora, sendo que Cristo, como Redentor, adquiriu a Igreja com seu sangue, e como sacerdote se ofereceu a si mesmo em vítima pelos pecado e eternamente continua se oferecendo, quem não vê que sua dignidade régia se reveste com a natureza de ambas estas funções e dela participa?
[600] Verumtamen eiusmodi r e g n u m praecipuo quodam modo et s p i r i t u a l e esse et ad spiritualia pertinere, cum ea, quae ex Bibliis supra protulimus, verba planissime ostendant, tum Christus Dominus sua agendi ratione confirmat. Siquidem non una data occasione, cum Iudaei, immo vel ipsi Apostoli, per errorem censerent, fore ut Messias populum in libertatem vindicaret regnumque Israel restitueret, vanam ipse opinionem ac spem adimere et convellere; rex a circumfusa admirantium multitudine renuntiandus, et nomen et honorem fugiendo latendoque detrectare; coram praeside romano edicere, regnum suum “de hoc mundo” [Io 18,36 ] non esse. Quod quidem regnum tale in evangeliis proponitur, in quod homines paenitentiam agendo ingredi parent, ingredi vero nequeant nisi per fidem et baptismum, qui, etsi est ritus externus, interiorem tamen regenerationem significat atque efficit; opponitur unice regno Satanae et potestati tenebrarum, et ab asseclis postulat, non solum ut, abalienato divitiis rebusque terrenis animo, morum praeferant lenitatem et esuriant sitiantque iustitiam, sed etiam ut semet ipsos abnegent et crucem suam tollant. Cum autem Christus et Ecclesiam Redemptor sanguine suo acquisiverit et Sacerdos se ipse pro peccatis hostiam obtulerit perpetuoque offerat, cui non videatur regium ipsum munus utriusque illius naturam muneris induere ac participare?