Denzinger · DH 3716

DH 3716

Falemos agora da prole, que muitos ousam chamar molesto encargo do casamento e afirmam que deve ser evitada cuidadosamente pelo cônjuges, não pela continência honesta (permitida mesmo no matrimônio, com o consentimento de ambos os cônjuges), mas viciando o ato natural. Alguns reclamam esta liberdade criminosa porque, aborrecendo os cuidados da prole, desejam somente satisfazer, sem ônus, a sua volúpia; outros porque, dizem, não podem observar a continência nem permitir a prole, por causa das dificuldades próprias suas, ou da mãe, ou da situação familiar. Mas nenhuma razão, sem dúvida, embora gravíssima, pode tornar conforme à natureza e honesto aquilo que intrinsecamente é contra a natureza. Sendo o ato conjugal por sua própria natureza destinado à geração da prole, aqueles que, exercendoo deliberadamente o destituem de sua força e eficácia natural procedem contra a natureza e praticam um ato torpe e intrinsecamente desonesto. Não admira, pois, que, segundo atesta a Sagrada Escritura, a divina Majestade odeie sumamente este nefando crime e algumas vezes o tenha castigado com a morte, como recorda S. Agostinho 1 : “Mesmo com a mulher legítima, o ato matrimonial é ilícito e desonesto, quando se evita a concepção da prole. Assim fazia Onã, filho de Judá, e por isso Deus o matou [cf. Gn 38,8-10]”.

Latim

De prole sit sermo, quam multi molestum connubii onus vocare audent, quamque a coniugibus, non per honestam continentiam (etiam in matrimonio, utroque consentiente coniuge, permissam), sed vitiando naturae actum, studiose arcendam praecipiunt. Quam quidem facinorosam licentiam alii sibi vindicant, quod prolis pertaesi solam sine onere voluptatem explere cupiunt, alii quod dicunt, se neque continentiam servare, neque ob suas vel matris vel rei familiaris difficultates prolem admittere posse. At nulla profecto ratio, ne gravissima quidem, efficere potest, ut, quod intrinsece est contra naturam, id cum natura congruens et honestum fiat. Cum autem actus coniugii suapte natura proli generandae sit destinatus, qui, in eo exercendo, naturali hac eum vi atque virtute de industria destituunt, contra naturam agunt et turpe quid atque intrinsece inhonestum operantur. Quare mirum non est, ipsas quoque Sacras Litteras testari, divinam Maiestatem summo prosequi odio hoc nefandum facinus illudque interdum morte puniisse, ut memorat Sanctus Augustinus 1 : “Illicite namque et turpiter etiam cum legitima uxore concumbitur, ubi prolis conce[560]ptio devitatur. Quod faciebat Onan, filius Iudae, et occidit illum propter hoc Deus [cf. Gn 38,8-10]”.

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