DH 3772
Ora, Deus quis igualmente que o homem nascesse e fosse formado para a sociedade civil, que certamente a sua própria natureza reclama. Com efeito, no plano do Criador, a sociedade é um meio natural, de que todo cidadão pode e deve servir-se para alcançar o fim que lhe é proposto, pois o Estado existe para o homem, não o homem para o Estado. Isto, porém, não se deve entender como ensinam os assim chamados liberais no sentido de sua doutrina individualista, que subordina a sociedade à utilidade egoísta do indivíduo, mas sim no sentido de que, por estarem unidos à sociedade segundo uma ordem bem articulada, todos possam, pela mútua colaboração, alcançar a verdadeira prosperidade terrena; e que, por meio da sociedade humana, floresçam e prosperem todas as aptidões individuais e sociais, inscritas no homem pela natureza, e que transcendem os interesses momentâneos e particulares e refletem na sociedade a perfeição divina – o que de modo algum acontece no homem isolado. E isso serve ao próprio homem, para que reconheça 816 esta imagem da perfeição divina e a refira ao Criador, do qual a recebeu. …
At Deus pari modo hominem ad civilem consortionem natum conformatumque voluit, quam profecto sua ipsius natura postulat. Societas enim ex divini Creatoris consilio naturale praesidium est, quo quilibet civis possit ac debeat ad propositam sibi metam assequendam uti; quandoquidem Civitas homini, non homo Civitati exsistit. Id tamen non ita intelligendum est, quemadmodum ob suam individualismi doctrinam Liberales quos vocant asseverant; qui quidem communitatem immoderatis singulorum commodis inservire iubent: se ita potius, ut omnes, ex eo quod cum societate composito ordine copulantur, terrenam possint per mutuam navitatis conspirationem veri nominis prosperitatem attingere; utque per humanum consortium privatae illae publicaeque animi dotes hominibus natura insitae floreant ac vigeant, quae temporarias peculiaresque utilitates exsuperant, divinamque praeferunt in civili ordinatione perfectionem, quod quidem in singulis hominibus contingere ullo modo nequit. Quod idcirco etiam homini inservit, ut hanc divinae perfectionis imaginem agnoscat acceptamque Creatori referat …