Denzinger · DH 3915

DH 3915

Dessas premissas se pode argumentar: se Maria, na obra da salvação espiritual, foi associada por vontade de Deus a Jesus Cristo, princípio de salvação, e isso num modo semelhante ao que associou Eva a Adão, princípio da morte, de tal modo que se pode afirmar que nossa redenção se realizou segundo uma certa “recapitulação” 1 , pela qual o gênero humano, sujeito à morte por causa de uma virgem, também é salvo por meio de uma virgem; se, além disso, se pode dizer igualmente que esta gloriosíssima Senhora foi escolhida para mãe de Cristo, “para , ser associada à redenção do gênero humano” 2 , e, se realmente “foi ela que, isenta de qualquer culpa pessoal ou hereditária, e sempre estreitamente unida a seu Filho, o ofereceu no Gólgota ao eterno Pai, juntamente com o sacrifício total de seus maternos direitos e de seu amor de mãe, qual nova Eva, em prol de todos os filhos de Adão, desfigurados por sua miserável queda” 3 , pode-se concluir daí sem dúvida que, assim como Cristo, o novo Adão, deve ser chamado rei não só porque filho de Deus, mas também por ser o nosso Redentor, assim também, segundo certa analogia, pode-se afirmar que a beatíssima Virgem é rainha, não somente porque é mãe de Deus, mas também porque como nova Eva foi associada ao novo Adão.

Latim

Quibus ex rationibus huiusmodi argumentum eruitur: si Maria, in spirituali procuranda salute, cum Iesu Christo, ipsius salutis principio, ex Dei placito sociata fuit, et quidem simili quodam modo, quo Heva fuit cum Adam, mortis principio, consociata, ita ut asseverari possit, nostrae salutis opus secundum quandam “recapitulationem” 1 peractum fuisse, in qua genus [635] humanum, sicut per virginem morti adstrictum fuit, ita per virginem salvatur; si praeterea asseverari itidem potest, hanc gloriosissimam Dominam ideo fuisse Christi matrem delectam, “ut redimendi generis humani consors efficeretur” 2 et si reapse “ipsa fuit, quae vel propriae vel hereditariae labis expers, arctissime semper cum Filio suo coniuncta, eundem in Golgotha, una cum maternorum iurium maternique amoris sui holocausto, nova veluti Heva, pro omnibus Adae filiis, miserando eius lapsu foedatis, aeterno Patri obtulit” 3 , inde procul dubio concludere licet, quemadmodum Christus, novus Adam, non tantum quia Dei Filius est, Rex dici debet, sed etiam, quia Redemptor noster est, ita quodam analogiae modo, beatissimam Virginem esse Reginam non tantummodo, quia mater Dei est, verum etiam, quod nova veluti Heva cum novo Adam consociata fuit.

Abrir no Denzinger completo →