DH 3979
… A sociedade humana não estará bem constituída nem será fecunda de bens a não ser que nela haja aqueles que, providos de autoridade legítima, salvaguardem as instituições e dediquem, na medida que convém, trabalho e esforço ao bem comum. Esta autoridade vem de Deus, como ensina são Paulo: “Não há poder a não ser proveniente de Deus” [Rm 13,1; cf. tb. 13,2-6]. A esta sentença do Apóstolo faz eco a explanação de S. João Crisóstomo: “Que dizes? Todo governante é constituído por Deus? Não, não afirmo isso. Não trato agora de cada governante em particular, mas do governo como tal. Pois afirmo ser disposição da sabedoria divina que haja autoridade e que 896 alguns governem e outros obedeçam, e que as coisas não são deixadas ao acaso ou à temeridade” 1 . Com efeito, como Deus criou os homens sociais por natureza e, já que sociedade alguma pode “subsistir sem um chefe que, com o mesmo impulso eficaz, encaminhe todos para o fim comum, conclui-se que a comunidade civil humana tem necessidade de uma autoridade que a governe. Esta, assim como a sociedade, se origina da natureza, e por isso mesmo, vem de Deus como autor”. do poder estatal
… Hominum societas neque bene composita neque bonorum fecunda esse potest, nisi ei adsint qui, auctoritate legitima decorati, instituta servent et, quantum est satis, in omnium commoda operam curamque impendant suam. Iidem vero auctoritatem omnem a Deo ducunt, uti S. Paulus hisce docet verbis: “Non est enim potestas, nisi a Deo” [Rm 13,1; cf. et 13,2-6]. Quam Apostoli sententiam S. Ioannes Chrysostomus explanans haec scribit: “Quid dicis? Omnisne princeps a Deo ordinatus est? Non hoc dico, inquit: neque enim de singulis principibus mihi nunc sermo est, sed de re ipsa. Nam quod principatus sint, et quod alii imperent, alii subiecti sint, neque omnia casu ac temere ferantur, divinae esse sapientiae dico” 1 . Enimvero, quoniam Deus homines sua natura sociabiles creavit, quoniamque nulla societas potest “consistere, nisi si aliquis omnibus praesit, efficaci similique movens singulos ad commune propositum impulsione, efficitur, civili hominum communitati necessariam esse auctoritatem, qua regatur: quae non secus ac societas, a natura proptereaque a Deo ipso oriatur auctore” [*3165]. A autoridade