Denzinger · DH 3980

DH 3980

Ora, não se imagine a autoridade como isenta de qualquer domínio; mais, como ele provém da faculdade de mandar segundo a reta razão, é lógico que ela recebe sua capacidade de obrigar da ordem moral, a qual, por sua vez, tem a Deus como princípio e fim. Por esta razão, adverte Nosso predecessor Pio XII, de feliz memória: “A ordem absoluta dos viventes e o próprio fim do homem – chamamos homem o ser livre, sujeito a deveres, sujeito de direitos invioláveis, origem e fim da sociedade humana – comportam também o Estado, como comunidade necessária e investida de autoridade, sem a qual ele <o Estado> não poderia existir nem viver. … Como esta ordem das coisas, segundo a reta razão e, principalmente, segundo a fé cristã, só pode ter seu princípio em Deus, criador nosso e de todos, e sendo ele pessoal, as autoridades recebem sua dignidade do fato de participar de algum modo na autoridade do próprio Deus” 1 . Portanto, uma autoridade baseada exclusiva ou principalmente na ameaça ou no temor de penas, ou em promessas de recompensa, de modo algum consegue mover os seres humanos, eficazmente, à busca do bem comum; e se por acaso o conseguir, será de maneira incompatível com a dignidade de homens capazes e partícipes da razão e da liberdade. Como, pois, a autoridade é baseada maximamente numa força imaterial, os dirigentes do Estado devem apelar à consciência de cada cidadão no agir, isto é, ao dever de cada um de se prontificar em contribuir para o bem comum de todos. Sendo, porém, todos os homens iguais em dignidade natural, ninguém pode obrigar a outrem no íntimo sentir da alma, porque isso é prerrogativa exclusiva de 897 Deus, que, só ele, perscruta e julga os arcanos desígnios do coração. As autoridades do Estado só então podem obrigar em consciência, se sua autoridade está unida à autoridade de Deus e dela participa 2 .

Latim

Haud tamen auctoritas a cuiuslibet imperio vacua putanda est; immo cum eadem ex facultate imperandi ad rectam rationem proficiscatur, illud sane cogitur, ut vim obligandi ex ordi[270]ne morum ipsa repetat, qui vicissim Deum tamquam principium et finem habet. Qua de causa Decessor Noster fel. rec. Pius XII haec monet: “Absolutus animantium ordo, et finis ipse hominis (hominem dicimus liberum, officiis obstrictum, iuribus inviolabilibus instructum, societatisque humanae originem et finem) civitatem quoque, quasi quandam communitatem necessariam, auctoritateque ornatam attingunt, qua sublata, neque esse neque vivere ipsa posset. … Qui rerum omnium ordo, quoniam iuxta rectam rationem et maxime iuxta christianam fidem initium non potest quin ducat a Deo, omnium nostrum Creatore, eodemque persona praedito, idcirco magistratus ex eo dignitatem accipiunt, quod Dei ipsius auctoritatem quodammodo participant” 1 . Quocirca quae imperandi facultas sive in minis metuque poenarum, sive in praemiorum pollicitationibus posita unice vel praecipue est, nullo pacto ad commune omnium bonum quaerendum efficienter incitat; quod si forte fiat, id profecto cum hominum dignitate, qui libertatis rationisque sunt compotes et participes, haudquaquam sit consentaneum. Auctoritas enim cum maxime vi contineatur incorporali, propterea reipublicae curatores sese ad cuiusvis civis agendi conscientiam referre debent, hoc est ad officium, quo quisque obstringitur, in communes omnium utilitates promptam impendendi operam: Sed quoniam omnes homines in naturali dignitate sunt inter se pares, tum nemo valet alium ad aliquid intimis animi sensibus efficiendum cogere: quod quidem unus Deus potest, utpote qui unus arcana pectoris consilia scrutetur ac iudicet. Qui igitur personam civitatis gerunt, tunc tantum homines ex animi conscientia obligare possunt, si eorum auctoritas cum Dei auctoritate coniungitur eiusque est particeps 2 .

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