Denzinger · DH 399

DH 399

(Cap. 2) E portanto, visto que desta questão trataram de maneira amplíssima muitos Padres e, antes dos outros, o bispo Agostinho, de feliz memória, mas também os nossos predecessores, os bispos da Sé Apostólica, de modo que ninguém doravante devesse ficar em dúvida de que também a própria fé nos vem da graça, cremos poder renunciar a uma resposta desdobrada; sobretudo, porque aparece claramente – de acordo com as citações que alegaste do Apóstolo, nas quais diz: “Alcancei misericórdia para ser fiel” [1 Cor 7,25], e em outro lugar: “A vós foi dado, no que se refere a Cristo, não só que nele creiais, mas também que sofrais por ele” [Fl 1,29] – que a fé com que cremos em Cristo, como toda coisa boa, venha para cada pessoa do dom da graça celeste, não do poder da natureza humana. Alegramo-nos porque também a Tua Fraternidade, tendo tido um encontro com alguns sacerdotes das Gálias, sentiu de acordo com a fé católica: no haver definido com unanimidade, como me fizeste saber, que a fé com a qual cremos em Cristo é conferida pela graça preveniente da divindade, acrescentando também que segundo Deus não há, mesmo, nada de bom que alguém possa querer, ou começar, ou fazer, ou levar a termo sem a graça de Deus, já que o mesmo nosso Salvador diz: “Sem mim nada podeis fazer” [Jo 15,5]. De fato, é certo e católico que, em todos os bens, o maior dos quais é a fé, a misericórdia divina, quando ainda não queremos, nos previne para que queiramos, e permanece em nós quando queremos, e também <nos> segue para que perseveremos na fé, como diz Davi, o profeta: “Meu Deus, a sua misericórdia me prevenirá” 147 [Sl 59,11]; e ainda: “A minha misericórdia está com ele” [Sl 89,25]; e em outro lugar: “A sua misericórdia me segue” [Sl 23,6]. De modo semelhante, também o bem-aventurado Paulo diz: “Ou quem lhe deu por primeiro, para que lhe seja restituído? Já que dele, por ele e nele estão todas as coisas” [Rm 11,35s].

Latim

(c. 2) Atque ideo, cum de hac re multi Patres, et prae ceteris beatae recordationis Augustinus episcopus, sed et maiores nostri Apostolicae Sedis antistites ita ratione probentur disseruisse latissima, ut nulli ulterius deberet esse ambiguum, fidem quoque nobis ipsam venire de gratia: supersedendum duximus responsione multiplici; maxime cum secundum eas, quas ex Apostolo direxisti sententias, quibus dicit: “Misericordiam consecutus sum, ut fidelis essem” [1 Cor 7,25], et alibi: Vobis datum est pro Christo, non solum ut in eum credatis, verum etiam ut pro eo patiamini [Phil 1,29], evidenter appareat, fidem, qua in Christo credimus, sicut et omnia bona singulis hominibus ex dono supernae venire gratiae, non ex humanae potestate naturae. Quod etiam Fraternitatem tuam, habita collatione cum quibusdam sacerdotibus Galliarum, iuxta fidem gaudemus sensisse catholicam: in his scilicet, in quibus uno, sicut indicasti, consensu definierunt fidem, qua in Christo credimus, gratia divinitatis praeveniente conferri; adiicientes etiam, nihil esse prorsus secundum Deum boni, quod sine Dei quis gratia aut velle, aut incipere, aut operari, aut perficere possit, dicente ipso Salvatore nostro: “Sine me nihil potestis facere” [Io 15,5]. Certum est enim atque catholicum, quia in omnibus bonis, quorum caput est fides, nolentes nos adhuc misericordia divina praeveniat, ut velimus, insit in nobis cum volumus, sequatur etiam ut in fide duremus, sicut David propheta dicit: “Deus meus, misericordia eius praeveniet me” [Ps 58,11]; et iterum: “Misericordia mea cum ipso est” [Ps 88,25]; et alibi: “Misericordia eius subsequitur me” [Ps 22,6]. Similiter et beatus Paulus dicit: “Aut quis prior dedit ei, et retribuetur illi? Quoniam ex ipso, et per ipsum, et in ipso sunt omnia” [Rm 11,35s];

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