Denzinger · DH 3996

DH 3996

… [A aplicação dos princípios sociais] oferece aos católicos vasto campo de cooperação tanto com cristãos separados desta Sé Apostólica, como com pessoas que não de todo possuem a fé cristã, mas participam da razão e se ornam de natural integridade moral. “Em tais circunstâncias, os que professam o nome católico procedam com máxima atenção, de modo a serem coerentes consigo mesmos e não descerem a meios termos que possam prejudicar a integridade religiosa ou moral. Mas, ao mesmo tempo, se mostrem abertos a ponderar generosamente a opinião alheia, não reduzindo tudo a seus próprios interesses, e dispostos a colaborar lealmente e com forças unidas na consecução de objetivos bons por natureza, ou que, pelo menos, se possam encaminhar para o bem” 1 . A eqüidade exige que se distinga sempre entre o erro e a pessoa que erra, ainda que se trate de pessoas que são vítimas de erro ou inadequado conhecimento em matéria religiosa ou moral. A pessoa que caiu no erro não deixa de ser ornada de valor humano, nem perde nunca a dignidade da pessoa, que sempre deve ser levada em conta. Ademais, nunca se extingue na natureza humana a capacidade natural tanto de abandonar o erro como de buscar o caminho da verdade. Nem lhe faltam nunca neste intuito os auxílios da divina Providência. Quem, pois, hoje se encontre privado da luz da fé ou adepto de opiniões errôneas, pode amanhã, iluminado pela divina luz, abraçar a verdade. … 904

Latim

[299] … [In principiis socialibus] efficiendis contingit crebro, ut catholici homines operam multimodis socient vel cum christianis ab hac Sede Apostolica seiunctis, vel cum hominibus christianae quidem fidei omnino expertibus, sed rationis participibus et naturali morum integritate ornatis. “Quod cum evenit, ii qui catholicum profitentur nomen, maximopere prospiciant, ut sibimetipsis semper constent, neve ad ea media consilia descendant, e quibus aut religionis aut morum integritas aliquid detrimenti capiat. Pariter tamen se tales praebeant, qui et aliorum sententiam aequa perpendant benignitate, et omnia ad utilitates suas non referant, et parati sint ad ea cum fide coniunctisque viribus efficienda, quae vel suapte natura sint bona vel ad bonum conducibilia” 1 . Omnino errores ab iis qui opinione labuntur semper distinguere aequum est, quamvis de hominibus agatur, qui aut errore veritatis aut impari rerum cognitione capti sint, vel ad sacra vel ad optimam vitae actionem attinentium. Nam homo ad errorem lapsus iam non humanitate instructus esse desinit, neque suam umquam personae dignitatem amittit, cuius nempe ratio est semper habenda. Praeterea in hominis natura numquam facultas perit et refragendi erroribus et viam ad veritatem quaerendi. Neque umquam hac in re providentissimi Dei auxilia hominem deficiunt. Ex quo fieri potest, ut, si quis hodie [300] vel fidei perspicuitate egeat vel in falsas discesserit sententias, possit postmodum, Dei collustratus lumine, veritatem amplecti. …

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