Denzinger · DH 4147

DH 4147

23. A união colegial aparece também nas mútuas relações de cada bispo com as Igrejas particulares e com a Igreja universal. O Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é perpétuo e visível fundamento da unidade, não só dos bispos mas também da multidão dos fiéis 1 . E os bispos individualmente são princípio e fundamento visível da unidade nas suas respectivas Igrejas 2 , formadas à imagem da Igreja universal, nas quais e das quais existe a Igreja catóde lica, una e única 3 . Assim, cada um dos bispos representa a sua Igreja e, todos em união com o Papa, no vínculo da paz, do amor e da unidade, a Igreja inteira. 942 Cada um dos bispos que estão à frente de Igrejas particulares desempenha a ação pastoral sobre a porção do Povo de Deus a ele confiada, não sobre as outras Igrejas nem sobre a Igreja universal. Porém, enquanto membros do colégio episcopal e legítimos sucessores dos Apóstolos, estão obrigados, por instituição e preceito de Cristo, à solicitude sobre a Igreja toda 4 , que, embora não se exerça por um ato de jurisdição, todavia concorre grandemente para o bem da Igreja universal. Todos os bispos devem, com efeito, promover e defender a unidade da fé e a disciplina comum a toda a Igreja; formar os fiéis no amor pelo Corpo místico de Cristo, principalmente pelos membros pobres, sofredores e que padecem perseguição por amor da justiça [cf. Mt 5,10]; devem, finalmente, promover todas as atividades que são comuns a toda a Igreja, sobretudo para que a fé se difunda e a luz da verdade total nasça para todos os homens. Aliás, é certo que, governando bem a própria Igreja, como porção da Igreja universal, concorrem eficazmente para o bem de todo o Corpo místico, que é também o corpo das Igrejas 5 . O cuidado de anunciar o Evangelho em todas as partes da terra pertence ao corpo dos pastores, aos quais em conjunto Cristo deu o mandato, impondo este comum dever, como já o Papa Celestino recordava aos Padres do Concílio de Éfeso 6 . Pelo que, cada um dos bispos, quanto o desempenho do seu próprio ministério o permitir, está obrigado a colaborar com os demais bispos e com o sucessor de . Pedro, a quem, de modo especial, foi confiado o nobre encargo de propagar o cristianismo 7 . Devem, por isso, com todas as forças, subministrar às Missões, não só operários para a messe, mas também auxílios espirituais e materiais, tanto por si mesmos diretamente como fomentando a generosa cooperação dos fiéis. Finalmente, os bispos, em universal comunhão de caridade, prestem de boa vontade ajuda fraterna às outras Igrejas, em especial às mais vizinhas e necessitadas, segundo o venerando exemplo dos antepassados. A divina Providência quis que várias Igrejas, instituídas em diversos lugares pelos Apóstolos e seus sucessores, se juntassem, no decorrer do tempo, em

Latim

23. Collegialis unio etiam in mutuis relationibus singulorum Episcoporum cum particularibus Ecclesiis Ecclesiaque universali apparet. Romanus Pontifex, ut successor Petri, est unitatis, tum Episcoporum tum fidelium multitudinis, perpetuum ac visibile principium et fundamentum 1 . Episcopi autem singuli visibile principium et fundamentum sunt unitatis in suis Ecclesiis particularibus 2 , ad imaginem Ecclesiae universalis formatis, in quibus et ex quibus una et unica Ecclesia catholica exsistit 3 . Qua causa singuli Episcopi suam Ecclesiam, omnes autem simul cum Papa totam Ecclesiam repraesentant in vinculo pacis, amoris et unitatis. Singuli Episcopi, qui particularibus Ecclesiis praeficiuntur, regimen suum pastorale super portionem Populi Dei sibi commissam, non super alias Ecclesias neque super Ecclesiam universalem exercent. Sed qua membra Collegii episcopalis et legitimi Apostolorum successores singuli ea sollicitudine pro universa Ecclesia ex Christi institutione et praecepto tenentur 4 , quae, etiamsi per actum iurisdictionis non exerceatur, summopere tamen confert ad Ecclesiae universalis emolumentum. Debent enim omnes Episcopi promovere et tueri unitatem fidei et disciplinam cunctae Ecclesiae communem, fideles edocere ad amorem totius Corporis mystici Christi, praesertim membrorum pauperum, [28] dolentium et eorum qui persecutionem patiuntur propter iustitiam [cf. Mt 5,10], tandem promovere omnem actuositatem quae toti Ecclesiae communis est, praesertim ut fides incrementum capiat et lux plenae veritatis omnibus hominibus oriatur. Ceterum hoc sanctum est quod, bene regendo propriam Ecclesiam ut portionem Ecclesiae universalis, ipsi efficaciter conferunt ad bonum totius mystici Corporis, quod est etiam corpus Ecclesiarum 5 . Cura Evangelium ubique terrarum annuntiandi ad corpus Pastorum pertinet, quibus omnibus in commune Christus mandatum dedit imponendo commune officium, ut iam Papa Coelstinus Patribus Ephesini Concilii commendavit 6 . Unde singuli Episcopi, quantum propria eorum perfunctio muneris sinit, in laborum societate venire tenentur inter se et cum successore Petri, cui grande munus christiani nominis propagandi singulari modo demandatum est 7 Quare missionibus tum messis operarios, tum etiam auxilia spiritualia et materialia, tam per se directe, quam suscitando fidelium ardentem cooperationem, suppeditare omnibus viribus debent. Episcopi denique, in universali caritatis societate, fraternum adiutorium aliis Ecclesiis, praesertim finitimis et egentioribus, secundum venerandum antiquitatis exemplum, libenter praebeant. Divina autem Providentia factum est ut variae variis in locis ab Apostolis eorumque successoribus institutae Ecclesiae decursu temporum in plures coa-

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