DH 4171
51. Este sacrossanto Sínodo aceita com muita piedade essa venerável fé dos nossos maiores quanto a nossa união vital com os irmãos que já estão na glória celeste ou que, após a morte, estão ainda em pu- , rificação, e reitera os decretos dos sagrados Concílios de Nicéia II 1 , de Florença 2 e de Trento 3 . Ao mesmo tempo, com solicitude pastoral, exorta todos aqueles a quem isto diz respeito a que se esforcem por desterrar ou corrigir os abusos, excessos ou defeitos que porventura cá ou lá tenham surgido, e ordenem tudo à maior glória de Cristo e de Deus. Ensinem, portanto, aos fiéis que o verdadeiro culto dos Santos não consiste tanto na multiplicação dos atos externos quanto na intensidade do nosso amor efetivo, pelo qual, para maior bem nosso e da Igreja, procuramos nos Santos “o exemplo de sua vida, a participação de sua comunhão e a ajuda de sua intercessão” 4 . Por outro lado, mostrem aos fiéis que as nossas relações com os bem-aventurados, quando concebidas à luz da fé, de modo algum diminuem o culto de adoração, por Cristo e no Espírito, prestado a Deus Pai, mas pelo contrário o enriquecem ainda mais 5 . De fato, todos os que somos filhos de Deus e formamos em Cristo uma só família [cf. Hb 3,6], ao comunicarmos na caridade mútua e no comum louvor da Trindade Santíssima, correspondemos à íntima vocação da Igreja e participamos, por antegozo, na liturgia da glória 6 . Com efeito, quando Cristo aparecer e se realizar a gloriosa ressurreição dos mortos, a luz de Deus iluminará a cidade celeste e o seu candelabro será o Cordeiro [cf. Ap 21,24]. Então, toda a Igreja dos santos, na suprema felicidade da caridade, adorará a Deus e ao “Cordeiro que foi imolado” [Ap 5,12], proclamando numa só voz: “Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, louvor, honra, glória e poderio, pelos séculos dos séculos” [Ap 5,13].
51. Quam venerabilem maiorum nostrorum fidem circa vitale consortium cum fratribus qui in gloria caelesti sunt vel adhuc post mortem purificantur, magna cum pietate haec Sacrosancta Synodus recipit et decreta Sacrorum Conciliorum Nicaeni II 1 Florentini 2 et Tridentini 3 rursus proponit. Simul autem pro pastorali sua sollicitudine omnes ad quos spectat hortatur, ut si qui abusus, excessus vel defectus hic illicve irrepserint, eos arcere aut corrigere satagant ac omnia ad pleniorem Christi et Dei laudem instaurent. Doceant ergo fideles authenticum Sanctorum cultum non tam in actuum exteriorum multiplicitate quam potius in intensitate amoris nostri actuosi consistere, quo, ad maius nostrum et Ecclesiae bonum, Sanctorum quaerimus “et conversatione exemplum et communione consortium et intercessione subsidium” 4 . Ex altera vero parte instruant fideles nostram cum caelitibus conversationem, dummodo haec in pleniore fidei luce concipiatur, nequaquam extenuare latreuticum cultum, Deo Patri per Christum in Spiritu tributum, sed illum e contra impensius ditare 5 . [58] Nam omnes qui filii Dei sumus et unam familiam in Christo constituimus [cf. Hbr 3,6], dum in mutua caritate et una Sanctissimae Trinitatis laude invicem communicamus, intimae Ecclesiae vocationi correspondemus et consummatae gloriae liturgiam praegustando participamus 6 . Quando enim Christus apparebit et gloriosa mortuorum resurrectio erit, claritas Dei illuminabit caelestem Civitatem et eius lucerna erit Agnus [cf. Apc 21,24]. Tunc tota Ecclesia sanctorum in summa caritatis beatitudine adorabit Deum et “Agnum qui occisus est” [Apc 5,12], una voce proclamans: “Sedenti in throno, et Agno: benedictio, et honor, et gloria, et potestas in saecula saeculorum” [Apc 5,13s].