Denzinger · DH 4304

DH 4304

4. (Esperanças e angústias). Para desempenhar tal tarefa, incumbe à Igreja, em todas as épocas, perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, para ser capaz de oferecer, de forma apropriada ao modo de ser de cada geração, respostas às eternas perguntas do ser humano a respeito do sentido da vida presente e futura e as relações de ambas. É preciso, portanto, conhecer e compreender o mundo em que vivemos, suas expectativas, seus desejos e sua índole, muitas vezes dramática. Algumas das características principais do mudo moderno podem ser delineadas da seguinte maneira. O gênero humano se encontra hoje numa nova época de sua história, em que rápidas e profundas mudanças se estendem progressivamente ao mundo inteiro. Estas, provocadas pela inteligência e pela criatividade humanas, incidem sobre o próprio ser humano, sobre seu julgamento e seus desejos individuais e coletivos, sua maneira de pensar e de agir tanto em relação às coisas como aos homens. Podemos assim falar de uma verdadeira transformação social e cultural, que repercute também na vida religiosa. Como acontece em toda crise de crescimento, esta transformação acarreta grandes dificuldades. Assim, enquanto o homem amplia enormemente o seu poder, nem sempre consegue usá-lo em seu benefício. Procura penetrar a intimidade da mente, mas com freqüência aparece mais inseguro a respeito de si mesmo. Aos poucos, descobre com mais clareza as leis da vida social, mas hesita no que diz respeito à orientação que lhe deve imprimir. O gênero humano nunca teve tanta abundância de riqueza, recursos e poder econômico, no entanto uma enorme parte dos habitantes da terra passa fome, é atormentada pela pobreza e grande número sofre total analfabetismo. Nunca os homens tiveram um senso tão aguçado da liberdade, mas, ao mesmo tempo, surgem novas formas de escravidão social e psíquica. Enquanto o mundo percebe tão vivamente sua unidade e a interdependência de uns para com os outros em necessária solidariedade, ao mesmo tem-

Latim

4. (De spe et angore). Ad tale munus exsequendum, per omne tempus Ecclesiae officium incumbit signa temporum perscrutandi et sub Evangelii luce interpretandi; ita ut, modo unicuique generationi accommodato ad perennes hominum interrogationes de sensu vitae praesentis et futurae deque earum mutua relatione respondere possit. Oportet itaque ut mundus in quo vivimus necnon eius exspectationes, appetitiones et indoles saepe dramatica cognoscantur et intelligantur. Quaedam autem principaliores mundi hodierni notae sequenti modo delineari possunt. Hodie genus humanum in nova historiae suae aetate versatur in qua profundae et celeres mutationes ad universum orbem gradatim extenduntur. Ab hominis intelligentia et creativa industria excitatae, in ipsum hominem recidunt, in eius iudicia et desideria individualia et collectiva, in eius modum cogitandi et agendi tum circa res tum circa homines. Ita iam de vera sociali et culturali transformatione loqui possumus, quae etiam in vitam religiosam redundat. Ut in quavis accretionis crisi contingit, haec transformatio non leves secumfert difficultates. Ita, dum homo potentiam suam tam late extendit, eam tamen non semper ad suum servitium redigere valet. Proprii animi intimiora altius penetrare satagens, saepe de seipso magis incertus apparet. Leges vitae socialis pedetemptim clarius detegens, de directione ei imprimenda anceps haeret. Numquam genus humanum tantis divitiis, facultatibus et potentia [1028] oeconomica abundavit, et tamen adhuc ingens pars incolarum orbis fame et egestate torquetur atque innumeri litterarum ignorantia plane laborant. Numquam homines tam acutum ut hodie sensum libertatis habuerunt, dum nova interea genera socialis et psychicae servitutis exsurgunt. Dum mundus suam unitatem necnon singulorum ab invicem dependentiam in necessaria solidarietate tam vivide persentit, viribus tamen inter se pug-

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