Denzinger · DH 442

DH 442

[O f i l h o d e D e u s e n c a r n a d o .] Creio e professo, pois, que, desta Trindade santa e beatíssima e consubstancial, uma pessoa, isto é, o Filho de Deus, desceu dos céus para a salvação do gênero humano nos últimos tempos, sem deixar a sede do Pai e o governo do mundo; e logo que o Espírito 160 Santo veio do céu na bem-aventurada virgem Maria e a força do Altíssimo a cobriu, este mesmo Verbo e Filho de Deus entrou suavemente no útero da mesma santa virgem Maria e, da carne dela, uniu a si uma carne animada por alma racional e intelectiva; não que antes tivesse sido criada a carne e depois o Filho de Deus tivesse sobrevindo a esta, mas, como está escrito “construindo a Sabedoria para si uma casa” [Pr 9,1], imediatamente a carne no útero da Virgem se fez a carne do Verbo de Deus e, portanto, o Verbo e Filho de Deus se fez homem sem nenhuma mudança ou transformação da natureza do Verbo e da carne, um só em ambas as naturezas, isto é, na e divina e na humana; e <assim> Jesus Cristo procedeu, isto é, nasceu verdadeiro Deus e, o mesmo, verdadeiro homem, conservada a integridade da virgindade materna, pois ela o gerou permanecendo virgem assim como virgem o havia concebido. Pelo que professamos de maneira veracíssima a mesma bem-aventurada virgem Maria genitora de Deus, pois ela gerou o Verbo de Deus encarnado. O único e o mesmo Jesus Cristo é portanto verdadeiro Filho de Deus e, o mesmo, verdadeiro filho do homem, perfeito na divindade e, o mesmo, perfeito na humanidade, sendo inteiro no que é seu e, o mesmo, inteiro no que é nosso [cf. *293]; do segundo nascimento, de mãe humana, ele tomou o que ele não era, de tal modo, porém, que não deixou de ser o que era pelo primeiro <nascimento>, no qual nasceu do Pai. Por isso cremos que ele seja de duas – ou em duas – naturezas, que permanecem indivisas e inconfusas: indivisas, já que o único Cristo, também depois de tomar a nossa natureza, permaneceu e permanece Filho de Deus; inconfusas, porque cremos que as naturezas foram unidas em uma só pessoa e subsistência, de modo que, conservada a peculiaridade de ambas, nenhuma das duas é superada pela outra. E, portanto, professamos, como sempre temos dito, que o único e o mesmo Cristo é verdadeiro Filho de Deus e, o mesmo, verdadeiro filho do homem, consubstancial ao Pai segundo a divindade e consubstancial a nós segundo a humanidade, em tudo semelhante a nós, excluído o pecado; passível na carne e, <sendo> o mesmo, impassível na divindade. Confessamos que ele, sob Pôncio Pilatos, sofreu voluntariamente na carne pela nossa salvação, na carne foi crucificado, morto na carne ressuscitou ao terceiro dia, na mesma carne glorificada e incorruptível, e … subiu aos céus; e está sentado à direita do Pai. 161

Latim

[D e Fi l i o D e i i n c a r n a t o .] Ex hac autem sancta et beatissima atque consubstantiali Trinitate credo atque confiteor unam personam, id est Filium Dei, pro salute humani generis novissimis temporibus descendisse de caelo, nec patriam sedem nec mundi gubernacula relinquentem, et superveniente in beata virgine Maria Sancto Spiritu atque obumbrante ei virtute Altissimi, eundem Verbum ac Filium Dei in utero eiusdem sanctae virginis Mariae clementer ingressum et de carne eius sibi unisse carnem anima rationali et intellectuali animatam; nec ante creatam esse carnem, et postea supervenisse Filium Dei, sed, sicut scriptum est, “sapientia aedificante sibi domum” [Prv 9,1] mox carnem in utero Virginis, mox Verbi Dei carnem factam exindeque sine ulla permutatione aut conversione Verbi carnisque naturae, Verbum ac Filium Dei factum hominem, unum in utraque natura, divina scilicet et humana, Christum Iesum Deum verum eundemque verum hominem processisse, id est natum esse, servata integritate maternae virginitatis: quia sic eum Virgo permanens genuit, quemadmodum Virgo concepit. Propter quod eandem beatam virginem Mariam Dei genitricem verissime confitemur: peperit enim incarnatum Dei Verbum. Est ergo unus atque idem Iesus Christus verus Filius Dei et idem ipse verus filius hominis, perfectus in deitate, et idem ipse perfectus in humanitate, utpote totus in suis et idem ipse totus in nostris [cf. *293]; sic per secundam nativitatem sumens ex homine matre quod non erat, ut non desisteret esse quod per primam, qua ex Patre natus est, erat. Propter quod eum ex duabus et in duabus, manentibus indivisis inconfusisque credimus esse naturis: indivisis quidem, quia et post adsumptionem naturae nostrae unus Christus Filius Dei permansit et permanet: inconfusis autem, quia sic in unam personam atque subsistentiam adunatas credimus esse naturas, ut utriusque proprietate servata, neutra converteretur in alteram. Ac propterea, sicut saepe diximus, unum eundemque Christum esse verum Filium Dei, et eundem ipsum verum filium hominis confitemur, consubstantialem Patri secundum deitatem, et consubstantialem nobis eundem secundum humanitatem, per omnia nobis similem absque peccato; passibilem carne, eundem ipsum inpassibilem deitate. Quem sub Pontio Pilato sponte pro salute nostra passum esse carne confitemur, crucifixum carne, mortuum carne, resurrexisse tertia die, glorificata et incorruptibili eadem carne, et … ascendisse in caelos; sedere etiam ad dexteram Patris.

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