DH 474
Quanto a isto … que está escrito, que “nem o Filho do homem, nem os anjos conhecem o dia nem a hora” [cf. Mc 13,32] a vossa santidade pensou de modo absolutamente justo que isso certamente não se refere ao Filho segundo o seu ser cabeça, mas segundo o seu corpo, que somos nós. Sobre estas coisas, em muitas passagens … Agostinho faz uso de tal significado 1 . Ele diz também uma outra coisa que se possa compreender do mesmo Filho: que o onipotente Deus às vezes fala segundo o costume humano; assim diz a Abraão: “Agora compreendi que temes a Deus” [cf. Gn 22,12], não porque nesse momento Deus tivesse reconhecido que era temido, mas porque nesse momento fez saber a Abraão que ele mesmo temia a Deus. Como, de fato, nós dizemos alegre um dia não porque o dia em si seja alegre, mas porque nos faz alegres, assim também o Filho onipotente diz não conhecer o dia que ele mantém desconhecido não porque não o conheça, mas porque não permite de modo algum que seja conhecido.
De eo …, quod scriptum est, quia “diem et horam neque Filius neque angeli sciunt” [cf. Mc 13,32], omnino recte vestra sanctitas sensit, quoniam non ad eundem Filium iuxta hoc quod caput est, sed iuxta corpus eius quod nos sumus, est certissime referendum. Qua de re multis in locis … Augustinus eo sensu utitur 1 . Dicit quoque et aliud, quod de eodem Filio possit intelligi, quia omnipotens Deus aliquando more loquitur humano, sicut ad Abraham dicit: “Nunc cognovi, quia times Deum” [cf. Gn 22,12], non quia se Deus tunc timeri cognoverit, sed quia tunc eundem Abraham fecit agnoscere, quia Deum timeret. Sicut enim nos diem laetum dicimus, non quod ipse dies laetus sit, sed quia nos laetos facit, ita et omnipotens Filius nescire se dicit diem, quem nesciri facit, non quod ipse nesciat, sed quia hunc sciri minime permittat.