Denzinger · DH 4810

DH 4810

27. O relance de olhos sobre o mundo contemporâneo a que nos convida a Encíclica <“Populorum Progressio”> leva-nos a verificar, antes de tudo, que o progresso não é um processo retilíneo, quase automático e de per si ilimitado, como se, com certas condições, o gênero humano tivesse de caminhar sem obstáculos para uma espécie de perfeição indefinida 1 . Tal concepção, ligada mais a uma noção de progresso com conotações filosóficas de tipo iluminista do que à noção de desenvolvimento 2 usada em sentido especificamente económico-social, parece agora estar posta seriamente em dúvida, especialmente depois da trágica experiência das duas guerras mundiais, da destruição planificada e em parte efetivada de populações inteiras e, ainda, por causa do impendente perigo atômico. A um otimismo irracional, veio substituir-se uma inquietude, não sem fundamento, pelo destino da humanidade.

Latim

27. Quod Litterae Encyclicae nobis suaserunt inspiciendum in mundo huius temporis, nobis ostendit progressionem hominum non esse rectilineam, seu rem fere automatariam ac per se ipsam sine fine, perinde ac si genus humanum quibusdam sub condicionibus expedite ad aliquam veluti non definitam tendat perfectionem 1 . Haec notio, quae notioni progressionis, illuminismi notis philosophicis potius signatae coniungitur, quam progressionis 2 significatione oeconomica-sociali acceptae, nunc aperte in dubium revocari videtur, praesertim post cognitas calamitates postremi utriusque belli pancosmii, post praestitutam ratio[548]nem, et partim ad effectum deductam, excidendi integros populos, necnon ipso instante periculo atomico. Stultam bonam spem irrationalem iactatio animi de ultimo hominis exitu secuta est non sine causa.

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