Denzinger · DH 491

DH 491

Destas três pessoas da divindade, portanto, professamos que só o Filho saiu do segredo e arcano do Pai, em vista da redenção do gênero humano, para cancelar os débitos da culpa que nós no princípio tínhamos contraído pela desobediência de Adão e por nosso livre-arbítrio, e assumiu o homem, sem pecado, da santa sempre virgem Maria, de modo que o mesmo Filho de Deus Pai é também filho do homem, perfeito Deus e perfeito homem; de modo que o único Cristo é homem e Deus em duas naturezas, um só na pessoa, para que à Trindade não acedesse uma quaternidade, se em Cristo se duplicasse a pessoa. Portanto, ele é distinto de modo indivisível do Pai e do Espírito Santo mediante a 177 pessoa, e do homem assunto, mediante a natureza; igualmente, ele é um com este homem na pessoa, <um> com o Pai e o Espírito Santo na natureza, e o nosso Senhor Jesus Cristo é, como temos dito, pelas duas naturezas e em uma pessoa, uno, igual ao Pai na força da divindade, inferior ao Pai na forma do servo; daí, de fato, a sua palavra no Salmo [22,11]: “Desde o seio de minha mãe és tu o meu Deus”. Só ele, portanto, nasceu de Deus sem mãe, nasceu da Virgem sem pai, e “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” [Jo 1,14]; e, se bem que a inteira Trindade tenha cooperado para a formação do homem assunto, já que as obras da Trindade são inseparáveis, todavia só ele, na singularidade da pessoa, não na unidade da natureza divina, assumiu o homem no que é próprio do Filho, não no que é comum à Trindade; de fato, se tivesse confundido uma com a outra as naturezas do homem e de Deus, a inteira Trindade teria assumido o corpo, já que consta que a natureza da Trindade é una, mas não a pessoa.

Latim

Ex his igitur tribus divinitatis personis solum Filium fatemur ad redemptionem humani generis propter culparum debita, quae per inoboedientiam Adae originaliter et nostro libero arbitrio contraxeramus, resolvenda, a secreto Patris arcanoque prodiisse, et hominem sine peccato de sancta semper virgine Maria assumpsisse, ut idem Filius Dei Patris esset filius hominis, Deus perfectus et homo perfectus, ut homo et Deus esset unus Christus naturis in duabus, in persona unus, ne quaternitas trinitati accederet, si in Christo persona geminata esset. Ergo a Patre et Spiritu Sancto inseparabiliter discretus est persona, ab homine autem assumpto natura; item cum eodem homine unus exstat persona, cum Patre et Spirito Sancto natura, ac sicut diximus, ex duabus naturis et una persona unus est Dominus noster Iesus Christus, in forma divinitatis aequalis Patri, in forma servi minor Patre; hinc enim est vox eius in Psalmo [21,11]: “De ventre matris meae Deus meus es tu”. Natus itaque a Deo sine matre, natus a virgine sine patre solus, “Verbum caro factum est et habitavit in nobis” [Io 1,14]; et cum tota cooperata sit Trinitas formationem suscepti hominis, quoniam inseparabilia sunt opera Trinitatis, solus tamen accepit hominem in singularitate personae, non in unitate divinae naturae, in id quod est proprium Filii, non quod commune Trinitati; nam si naturam hominis Deique alteram in altera confudisset, tota Trinitas corpus assumpsisset, quoniam constat naturam Trinitatis esse unam, non tamen personam.

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