DH 496
O patriarca Sérgio, de venerável memória, fez saber ao citado bispo de Roma [Honório], de santa memória, que alguns afirmaram duas vontades contrárias em nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo; depois que o citado Papa tomou conhecimento, lhe respondeu que o nosso Redentor, como forma uma só unidade, assim também foi concebido e nasceu de maneira admirável acima de qualquer modo humano. Também ensinava, em razão de sua santa obra salvífica na carne, que o nosso Salvador, assim como era perfeito Deus, era homem perfeito, para renovar, nascido sem pecado algum, o nobre estado primitivo da primeira imagem que o primeiro homem perdeu pela prevaricação. Ele nasceu, portanto, como segundo Adão, sem ter pecado algum pelo nascimento ou pelo contato com os homens. De fato, o Verbo, feito carne na semelhança com a carne do pecado, assumiu tudo que é nosso, sem levar débito algum de culpa, débito este surgido da transmissão da prevaricação. … Portanto, único e um só é o mediador sem pecado entre Deus e os homens: o homem Jesus Cristo [cf. 1Tm 2,5], que foi concebido no meio dos mortos e nasceu livre. Na obra salvífica da sua santa carne não teve portanto jamais duas vontades contrárias, nem os desejos da sua carne estiveram jamais em contradição com os da sua mente. … Por isso, já que sabemos que nele, logo que nascesse e participasse da convivência, absolutamente não tinha pecado, declaramos como convém e com toda a verdade professamos uma só vontade na humanidade de sua santa obra salvífica, e não pregamos duas <vontades> contrárias, a da mente e a da carne, como no simples homem, segundo deliram alguns hereges, como se sabe.
Sergius rev. mem. patriarcha praedicto sanctae record. Romanae urbis pontifici [Honorio] significavit, quod quidam in Redemptore nostro Domino Iesu Christo duas contrarias dicerent voluntates; quo praefatus papa comperto rescripsit ei, quia Salvator noster, sicut esset monadicus unus, ita et mirabiliter super omne genus hominum conceptus et natus esset. Ex sancta quoque ipsius incarnata dispensatione docebat, quia Redemptor noster, sicut esset Deus perfectus, ita esset et homo perfectus: ut, quam primus homo per praevaricationem amisit, sine aliquo peccato natus primae imaginis nobilem originem renovaret. Natus ergo est secundus Adam nullum habens nascendo vel cum hominibus conversando peccatum; etenim Verbum caro factum in similitudine carnis peccati omnia nostra suscepit, nullum reatus vitium ferens ex traduce praevaricationis exortum. … Ergo unus et solus est sine peccato mediator Dei et hominum homo Christus Iesus [cf. 1 Tim 2,5], qui in mortuis liber conceptus et natus est. In dispensatione itaque sanctae carnis suae duas numquam habuit contrarias voluntates, nec repugnavit voluntati mentis eius voluntas carnis ipsius. … Unde scientes, quod nullum in eo, cum nasceretur et conversaretur, esset omnino peccatum, decenter dicimus et veraciter confitemur, unam voluntatem in sanctae ipsius dispensationis humanitate, et non duas contrarias mentis et carnis praedicamus, secundum quod quidam haeretici velut in puro homine delirare noscuntur.