Denzinger · DH 4994

DH 4994

66. … Mesmo quando não motivada pela recusa egoísta de cuidar da vida de quem sofre, a eutanásia deve designar-se uma falsa compaixão, mais, uma preocupante “deformação” da mesma; pois a verdadeira “compaixão” torna solidário com a dor alheia, não suprime aquele de quem não se pode suportar o sofrimento. E mais perverso ainda se manifesta o gesto da eutanásia, quando é realizado por aqueles que – como os parentes – deveriam assistir com paciência e amor o seu familiar, ou por aqueles que – como os médicos –, pela sua específica profissão, deveriam tratar o doente, inclusive nas condições terminais mais penosas. A decisão da eutanásia torna-se mais grave quando se configura como um homicídio, que os outros praticam sobre uma pessoa que não a pediu de modo algum nem deu nunca qualquer consentimento para a mesma. Atinge-se, enfim, o cúmulo do arbítrio e da injustiça, quando alguns, médicos ou legisladores, se arrogam o poder de decidir quem deve viver e quem deve morrer. …

Latim

66. … [478] Quamvis non causetur euthanasia ex eo quod, sui commodi causa, quis curare recusat patientem, eadem falsa pietas est habenda, immo eius gravis “deformitas”: nam vera “miseratio” efficit ut cum alterius dolore homo societur, non autem eum perimit cuius aegritudo tolerari non potest. Atque multo flagitiosius videtur euthanasiae facinus, si ab iis patratur, qui – ut familiares – consanguineum leniter amanterque iuvare debent vel – ut medici – suam ipsorum propter artem, aegrotum curare debent, etiamsi in condicionibus ille insanabilibus versatur. Euthanasiae electio gravior fit cum in homicidium vertitur, quod alii in quadam persona patrant quae nullo prorsus modo eam quaesivit eamque comprobavit. Summum deinceps arbitrium attingitur et iniuria, cum quidam medici vel legum latores de vita morteque decernendi sibi vindicant potestatem. …

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