Denzinger · DH 5086

DH 5086

9. Na reflexão teológica contemporânea é freqüente fazer-se uma aproximação de Jesus de Nazaré, considerando-o uma figura histórica específica, finita, reveladora do divino, porém de modo não exclusivo, mas complementar a outras figuras igualmente consideradas reveladoras e salvíficas. O Infinito, o Absoluto, o Mistério último de Deus manifestar-se-ia assim à humanidade de muitas formas e em muitas figuras históricas, entra as quais Jesus de Nazaré. Mais concretamente, seria um dos tantos vultos que o Verbo teria assumido no decorrer dos tempos para comunicar em termos de salvação com a humanidade. Além disso, para justificar, de um lado, a universalidade da salvação cristã e, do outro, o fato do pluralismo religioso, há quem proponha uma dupla economia, a saber, uma economia do Verbo eterno, válida também fora da Igreja e sem relação com ela, e uma economia do Verbo Encarnado. A primeira teria um mais-valor de universalidade em relação à segunda, que seria limitada aos cristãos, se bem que com uma presença de Deus mais plena. 10. Tais teses estão em profundo contraste com a fé cristã. De fato, é preciso crer firmemente na doutrina de fé que proclama que Jesus de Nazaré, filho de Maria, e só ele, é o Filho e o Verbo do Pai. … … Não é compatível, portanto, com a doutrina da Igreja a teoria que atribui uma atividade salvífica ao Verbo como tal, que se realizasse “à margem”

Latim

9. In theologica nostri temporis perquisitione Iesus Nazarenus frequenter consideratur ut figura historica particularis, finita, revelatrix rei divinae modo non exclusivo, sed complementario cum aliis figuris quae pariter revelatrices et salvificae exsistimantur. Ideo Infinitum, Absolutum ultimumque Dei Mysterium sese hominum generi manifestaret multis modis multisque historicis figuris, quarum una esset Iesus Nazarenus. Magis definite, Ipse esset unus ex pluribus vultibus per temporum decursum a Verbo assumptis, ut salvifice cum hominibus communicaret. [750] Praeterea, ut salva maneant, ex altera parte, universalitas salutis christianae, ex altera vero factum pluralismi religiosi, duplex proponitur oeconomia, nempe Verbi aeterni oeconomia, quae valeat quoque extra Ecclesiam neque ullam cum ipsa relationem habeat, atque oeconomia Verbi incarnati. Prior vim haberet universalitatis potiorem quam altera, quae ad solos christianos restringeretur, quamvis in ipsa Dei praesentia plenior esset. 10. Hae theses aperte discrepant a fide christiana. Firmiter enim credenda est fidei doctrina quae profitetur Iesum Nazarenum, Mariae filium, ipsumque solum, esse Patris Filium ac Verbum. … [751] … Componi ergo nequit cum Ecclesiae doctrina theoria illa quae Verbo qua tali actuositatem salvificam tribuit, quae exerceatur “praeter” et

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