DH 570
(12) Por isso, há alguma coisa que nesta santa Trindade se deve professar sem introduzir uma divisão. De fato, naquilo que o Pai e o Filho e o Espírito Santo são para si, devem ser cridos indivisos como um só Deus, o Pai com o Filho e o Espírito Santo. No que diz respeito à relação, o que é próprio das três pessoas deve ser proclamado de maneira distinta, como proclama o Evangelista: Ide, ensinai a todas as gentes no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo [cf. Mt 28,19]. Fala-se de “relação” enquanto uma pessoa se refere a outra; de fato, quando se diz “Pai” é designada também a pessoa do Filho, e quando se diz “Filho”, aparece que o Pai sem dúvida está nele. (13) Ora, na palavra “Espírito Santo”, com a qual não é designada a inteira Trindade, mas a terceira pessoa que está na Trindade, não é de todo claro como no sentido relacional se refira à pessoa do Pai e do Filho, pois assim como dizemos: o Espírito Santo do Pai, não dizemos correspondentemente: o Pai do Espírito Santo, para que não se entenda o Espírito Santo como Filho; porém, nos outros vocábulos com os quais se designa a pessoa do Espírito Santo está claro que exprimem a relação. (14) Particularmente compreendemos, portanto, o Espírito Santo, do qual se sabe que é a terceira pessoa da santa Trindade, como “dom”, pelo motivo de ele ser dado aos fiéis pelo Pai e pelo Filho, com os quais cremos que em tudo seja de uma só essência; se, por isso, se fala do “dom do doador” e do “doador do dom”, aparece claro sem dúvida o sentido relacional; e isto deve ser crido – para não incorrer em culpa – também da própria palavra “Espírito Santo”. Deus encarnado
(12) Idcirco sunt quaedam, quae in hac sancta Trinitate indiscrete oporteat confiteri. In hoc etenim, quod ad se sunt Pater et Filius et Spiritus Sanctus, indiscrete unus Deus credendus est Pater cum Filio et Spiritu Sancto. Quod vero ad relativum adtinet, discrete personarum trium est praedicanda proprietas, Evangelista praedicante: Ite, docete omnes gentes in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti [cf. Mt 28,19]. Relativum etenim dicitur, quod una ad aliam persona referatur; nam quando dicitur Pater, Filii nihilominus persona signatur, et cum dicitur Filius, Pater ei sine dubio inesse monstratur. (13) At nunc, quoniam Spiritus Sancti vocabulum, quo non tota Trinitas significatur, sed tertia quae est in Trinitate persona, quomodo secundum relativum ad Patris Filiique referatur personam, nequaquam apertissime pateat pro eo scilicet, quia sicut dicimus Spiritum Sanctum Patris, non consequenter dicimus Patrem Spiritus Sancti, ne Filius Spiritus Sanctus intellegatur; in aliis tamen vocabulis, quibus eiusdem Sancti Spiritus signatur persona, ad relativum pertinere dinoscitur. (14) Igitur “donum” specialiter Spiritum Sanctum accipimus, quae in sancta praenoscitur Trinitate tertia esse persona pro eo quod a Patre Filioque, cum quibus unius essentiae per omnia creditur, fidelibus condonetur: quapropter cum dicitur “donum donatoris” et “donator doni”, relativum haud dubie declaratur: quod etiam de ipso vocabulo Spiritus Sancti inculpabiliter est credendum. Cristo, Filho de