DH 778
Ora, visto que os pagãos dividem o afeto conjugal com m a i s m u l h e r e s a o m e s m o t e m - p o , não sem razão se pergunta se, depois da conversão, podem conservá-las todas, ou qual entre todas. Na verdade, aquilo parece discordante e contrário à fé cristã, dado que a princípio uma só costela foi transformada em uma só mulher e dado que a divina Escritura testemunha que por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua esposa, e serão dois em uma só carne” [Ef 5,31; Gn 2,24; Mt 19,5], não disse “três ou mais”, mas “dois”; e não disse: “se unirá às esposas” mas “à esposa”. 272 E a ninguém jamais foi lícito ter mais esposas ao mesmo tempo, salvo àquele ao qual foi concedido pela revelação divina – às vezes considerada costume, às vezes também lei –, por meio da qual, como Jacó pela mentira, os israelitas pelo furto, Sansão pelo homicídio, assim também os patriarcas e outros homens justos dos quais se lê que tiveram muitas esposas ao mesmo tempo, foram desculpados do adultério. Esta sentença é demonstrada totalmente verídica também com base no testemunho da Verdade que atesta no Evangelho: “Quem repudia sua esposa, exceto em caso de fornicação, e toma uma outra, comete adultério” [Mt 19,9; cf. Mc 10,11]. Se, portanto, uma vez repelida a esposa, outra não pode ser tomada segundo o direito, com maior razão ainda, quando a mesma é conservada. Por isso se evidencia com clareza que, em ambos os sexos (pois não devem ser considerados de modo desigual), quanto ao matrimônio, a pluralidade deve ser afastada.
Quia vero pagani circa p l u r e s i n s i m u l feminas affectum dividunt coniugalem, utrum post conversionem omnes, vel quam ex omnibus retinere valeant, non immerito dubitatur. Verum absonum hoc videtur et inimicum fidei christianae, cum ab initio una costa in unam feminam sit conversa, et Scriptura divina testetur, quod “propter hoc relinquet homo patrem et matrem et adhaerebit uxori suae, et erunt duo in carne una” [Eph 5,31; Gn 2,24; cf. Mt 19,5]; non dixit: “tres vel plures”, sed “duo”; nec dixit: “adhaerebit uxoribus”, sed: “uxori”. Nec ulli unquam licuit insimul plures uxores habere, nisi cui fuit divina revelatione concessum, quae mos quandoque, interdum etiam fas censetur, per quam sicut Iacob a mendacio, Israelitae a furto, et Samson ab homicidio, sic et Patriarchae et alii viri iusti, qui plures leguntur simul habuisse uxores, ab adulterio excusantur. Sane veridica haec sententia probatur etiam de testimonio Veritatis testantis in Evangelio: “Quicunque dimiserit uxorem suam, nisi ob fornicationem, et aliam duxerit, moechatur” [Mt 19,9; cf. Mc 10,11]. Si ergo uxore dimissa duci alia de iure non potest, fortius et ipsa retenta: per quod evidenter apparet, pluralitatem in utroque sexu, cum non ad imparia iudicentur, circa matrimonium reprobandam.