Denzinger · DH 824

DH 824

… Certamente a inteligência teológica é capaz, qual varão, de presidir a qualquer faculdade e, qual espírito, de exercer o domínio sobre a carne e de dirigi-la no caminho da retidão, para que não se desvie … Na verdade, Nós, feridos pela dor no íntimo do coração [cf. Gn 6,6], somos repletos do amargor do absinto [cf. Lm 3,15], porque … alguns de nós … levados pela profana novidade fazem de tudo para remover “os marcos postos pelos pais” [cf. Pr 22,28]; a compreensão da celeste página, delimitada pelos cuidados primorosos dos santos Padres com os seguros limites das suas interpretações, cuja transgressão não só é coisa temerária, mas profana, eles a curvam à disciplina filosófica das realidades naturais, para ostentação de <sua> ciência e não para algum progresso dos ouvintes, revelando-se assim não cientistas de Deus ou teólogos, mas fantasistas de Deus. De fato, embora devam expor a teologia em conformidade com as provadas tradições dos Santos e não com armas carnais, mas com as que são “poderosas em Deus para destruir toda grandeza que se levanta contra a ciência de Deus e para subjugar no obséquio de Cristo toda inteligência” [2Cor 10,4s], estes, ao invés, conduzidos por doutrinas várias e peregrinas [cf. Hb 13,9], reduzem a cabeça a cauda [cf. Dt 28,13.44] e obrigam a rainha a servir à escrava, quer dizer, atribuindo à natureza o que cabe à graça, <obrigam> o que é celeste <a servir> às doutrinas terrenas. Na verdade, dedicando-se mais que o devido às ciências das coisas naturais, retornados aos fracos e miseráveis elementos do mundo … e a esses novamente servindo [cf. Gl 4,9], como fracos em Cristo se nutrem “de leite e não de alimento sólido” [Hb 5,12], e parece que seu coração de nenhum modo tenha se firmado na graça [cf. Hb 13,9]; por isso, “despojados das realidades da graça e feridos nas suas realidades naturais” 1 , não trazem à memória o 292 que foi dito pelo Apóstolo … : “Evita as fúteis novidades dos discursos e as opiniões de uma ciência de nome falso, pois alguns, abraçando-a, se desviaram da fé” [1Tm 6,20s] … E enquanto procuram, mais que o devido, reforçar a fé com a razão natural, não a tornam talvez de certo modo inútil e vazia? Pois “a fé não tem ne- . nhum valor se a humana razão fornece a prova” 2 . A natureza crê, afinal, nas coisas que se entendem, mas a fé, por sua própria força, numa percepção que vem da graça, compreende as coisas que se crêem, ela que, audaz e intrépida, penetra onde a inteligência natural não pode chegar. de Bari, 12 nov. 1231 2, 124) / BarAE, ao ano 1231, n. 30. – Reg.: PoR 8832. recebido na ordenação

Latim

… Et quidem theologicus intellectus quasi vir habet praeesse cuilibet facultati et quasi spiritus in carnem dominium exercere ac eam in viam dirigere rectitudinis, ne aberret. … Sane tacti dolore cordis intrinsecus [cf. Gn 6,6] amaritudine repleti sumus absynthii [cf. Lam 3,15], quod … quidam apud vos … “positos a Patribus terminos” [cf. Prv 22,28] profana transferre satagunt novitate; caelestis paginae intellectum, sanctorum Patrum studiis certis expositionum terminis limitatae, quos transgredi non solum est temerarium, sed profanum, ad doctrinam philosophicam naturalium inclinando, ad ostentationem scientiae, non profectum aliquem auditorum, ut sic videantur non theodocti seu theologi, sed theophanti. Cum enim theologiam secundum approbatas traditiones Sanctorum exponere debeant et non carnalibus armis, sed “Deo potentibus destruere omnem altitudinem extollentem se adversus scientiam Dei, et captivum in obsequium Christi omnem reducere intellectum” [2 Cor 10,4s]: ipsi doctrinis variis et peregrinis abducti [cf. Hbr 13,9] redigunt caput in caudam [cf. Dt 28,13 44] et ancillae cogunt famulari reginam, videlicet documentis terrenis caeleste, quod est gratiae, tribuendo naturae. Profecto, scientiae naturalium plus debito insistentes, ad infirma et egena elementa mundi … reversi et eis denuo servientes [cf. Gal 4,9] tamquam imbecilles in Christo, “lacte, non solido cibo” [Hbr 5,12] vescuntur, et videntur cor nequaquam gratia stabilisse [cf. Hbr 13,9]; propter quod “spoliati gratuitis et in suis naturalibus vulnerati” 1 , ad memoriam non reducunt illud Apostoli …: “Profanas vocum novitates et falsi nominis scientiae opiniones devita, quam quidam appetentes exciderunt a fide“ [1 Tim 6,20s]. … Et dum fidem conantur plus debito ratione adstruere naturali, nonne illam reddunt quodammodo inutilem et inanem? Quoniam “fides non habet meritum, cui humana ratio praebet experimentum” 2 Credit denique intellecta natura, sed fides ex sui virtute gratuita intellegentia credita comprehendit, quae audax et improba penetrat, quo naturalis nequit attingere intellectus. 825: Carta “Consultationi tuae” ao arcebispo Ed.: Gregório IX, Decretales, l. I, tit. 11, c. 16 (Frdb O caráter sacramental

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