DH 847
… Superando toda plenitude de generosidade, excedendo toda medida de amor, ofereceu a si mesmo em alimento. Ó singular e maravilhosa generosidade, onde o doador vem como dom, e o que é doado é totalmente idêntico ao doador! … Ele, portanto, se deu a si mesmo em alimento a nós, para que o homem que estava em ruínas por causa da morte, pelo alimento fosse reerguido para a vida… O degustar feriu e o degustar curou. Contempla como, de onde nasceu a ferida, saiu o remédio e, de onde entrou a morte, saiu a vida. Daquele degustar, de fato, foi dito: “No dia em que comeres, de morte morrerás” [Gn 2,17]; deste, ao contrário, se lê: “Se alguém tiver comido deste pão, viverá eternamente” [Jo 6,52]. … Foi também preciosa liberalidade e conveniente operação que o Verbo eterno de Deus, que é alimento e refeição da criatura racional feito carne, se oferecesse generosamente em banquete à carne e ao corpo da criatura racional, isto é, ao ser humano. … Este pão é comido, mas na verdade não é consumido; é comido, mas não mudado, porque não é de modo algum transformado naquele que come, mas, se é recebido de modo digno, aquele que o recebe é a ele amoldado. 1265 – 29 nov. 1268 Maurino de Narbonne, 28 out. 1267 ibid., n. 418) / E. Martène, Thesaurus novus anecdotorum
… Transcendens omnem plenitudinem largitatis, omnem modum dilectionis excedens, attribuit se in cibum. O singularis et admiranda liberalitas, ubi donator venit in donum, et datum est idem penitus cum datore! … Dedit igitur nobis se in pabulum, ut, quia per mortem homo corruerat, et per cibum relevaretur ad vitam. … Gustus sauciavit, et gustus sanavit. Vide, quia, unde vulnus est ortum, prodiit et medela, et, unde mors subiit, exinde vita evenit. De illo siquidem gustu dicitur: “Quacumque die comederis, morte morieris” [Gn 2,17]; de isto vero legitur: “Si quis comederit ex hoc pane, vivet in aeternum” [Io 6,52]. … Decens quoque liberalitas exstitit et conveniens operatio, ut Verbum Dei aeternum, quod rationabilis creaturae cibus est et refectio, factum caro, se rationabili creaturae carni et corpori, homini videlicet, in edulium largiretur. … Hic panis sumitur, sed vere non consumitur; manducatur, sed non transmutatur, quia in edentem minime transformatur, sed, si digne recipitur, sibi recipiens conformatur. CLEMENTE IV: 5 fev. 849: Carta “Quanto sincerius”, ao arcebispo Ed.: DenCh 1, 470 (n. 417; cf. a resposta de Maurino,